Side by Side - Percepções

Novamente a fotógrafa e atriz Julia Perosa, integrante dos grupos Teatro em Trâmite e O Bando, selecionou um documentário para compartilhar suas impressões. Desta vez o material escolhido foi o documentário Side by Side (2012), dirigido por Christopher Kenneally.


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O filme documentário Side by Side (em português: lado a lado) foi lançado em 2012,  sua direção é de Christopher Kenneally e produção de Justin Szlasa e Keanu Reeves. Sua estréia foi no 62º Festival Internacional de Cinema de Berlim e também teve exibição no Tribeca Film Festival.


O documentário fala sobre a mudança da maneira de se fazer cinema do filme para o digital, como ela se deu e como algumas das principais figuras do cinema da época lidaram com essa transformação. Dessa maneira, o filme conta com a entrevista de diversos diretores, cineastas, coloristas, cientistas, engenheiros e artistas do cinema famosos, entre eles Martin Scorcese, Christopher Nolan, Lars Von Trier, entre outros.


A tecnologia cinematográfica proporcionou diversas novas técnicas de filmagem. Uma das pontuadas no filme, é a da utilização da câmera na mão que enriqueceu as possibilidades de takes a serem feitos. Isso ocorreu devido à diminuição do tamanho das câmeras comparadas com as de negativo que trouxe maior mobilidade e fomentou ainda mais a presença do diretor na cena.


Outra situação citada no filme é a mudança do trabalho do ator nos filmes analógicos e digitais, por causa, principalmente, da possibilidade de corte mais fácil no arquivo digital. Essa possibilidade fez com que o ator não precisasse mais fazer cenas inteiras sem parar, muitos tiveram dificuldade de adaptação pois seria menos orgânico repetir

uma expressão diversas vezes.


A grande questão que o documentário aborda é se ainda existe espaço para o filme em negativo nos tempos atuais, onde a tecnologia vem evoluindo cada vez mais. Vários entrevistados se mantém saudosista em relação a isso, de certa maneira, existe uma “arte” envolvida em fazer um filme em película pois ele tem que ser muito pensado, um erro pode representar um grande desperdício.


Porém, não necessariamente não se faz arte com filmes digitais, existem verdadeiras obras primas feitas digitalmente, com computação gráfica, por exemplo. As possibilidades que o digital proporciona são enormes, é possível fazer filmes em qualquer ambiente pensado com incrível perfeição, sendo na pré história ou no espaço sideral. 


O que muitas pessoas não imaginam é que a manipulação das imagens existem desde a época da película, diversas funções dos programas digitais levam o mesmo nome das do laboratório fotográfico.


O triunfo da película


Por mais bonito e precioso que seja o cinema de película, atualmente, não existe mais espaço para essa mídia no cinema (pelo menos no blockbuster), por seus altos custos ou pela dificuldade intrínseca de se dar “um passo atrás” nas tecnologias. Mesmo Christopher Nolan, grande defensor da película, admite seu fim em sua entrevista no documentário.


Na minha opinião, o grande trunfo da película, tanto na fotografia como no cinema, é a valorização do processo para obtenção de um resultado de qualidade. Isso é um grande aprendizado para todos que querem se inserir nessa área. Já vivemos na época das facilidades, tiramos milhares de fotografias descartáveis para selecionarmos uma ou duas que vão ser mantidas (quase sempre) nos nossos hds e esquecidas ali. 


Devemos utilizar o melhor que o digital pode nos oferecer, criar inovações imagéticas mas também pensar no que estamos produzindo, isso agrega valor ao nosso ser como artistas, as tecnologias estão aqui para facilitar e também para abrir portas no nosso conhecimento artístico.


Julia Balbinotti Perosa

Teatro em Trâmite e O Bando


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Conhece este documentário? O que achou dele? Compartilhe suas percepções com a gente. Aproveite a quarentena para assistir bons documentários e lembre-se: #fiqueemcasa.

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